Seguindo o mestre Drummond
lembramos o poeta da montaria não repetida
e tendo resvalado nas alturas dos setenta
passou horas ouvindo o canto do cisne...
cisne que era ele mesmo
Eis que prendeu-se o poeta nos seios da mulher...
Os bicos pulavam na boca do poeta
Saíram dali no formato de poemas e peras
nos deleitosos solavancos de um novo amor
A égua solta pela cama escoiceava o peito amado
Pobre poeta
A libido insaciada ganha vulto
Enreda-se no corpo femino
A mulher destinada fica longe,
cruel, ri da procura do poeta
poeta desnorteado
a mulher cobiçada sonha longe
Ela se diz desejosa e que arde na sombra
impede o poeta das práticas amorosas, libidinais,
frustrado poeta em anseios de gozo e o desejo voraz
Certamente ela ri e se afasta mais e mais,
relembra histórias antigas;
o sexo na teoria é masturbação literária
eclode em lembranças do primeiro dia no teatro
beijos e buscas na escuridão
escondidos num porão habitado por deuses
os animalanjos se procuram nas trevas
enquanto os amantes se beijam e copulam
e a musa vem nua de lingerie vermelha
urge o gozo
enquanto o poeta está de costas
- Será que ela foge?
Desaparece como borbulhas no ar?
A feiticeira do bardo dá lugar a mais abraços
desejos explosivos e a busca por uma carteira
onde confortavelmente abre as pernas,
mostra a caverna espumosa e recebe o falo
entre gemidos e bafios e hálito febril
Os gemidos se expandem e excitam
Dominam ares como brasas saborosas
repetidas dias além sob a cunilíngua intensa
onde o poeta se desdobra sobre a vulva ardente
Lilith Preta contorce e cita delícias e faz carícias
Lilith reage num êxtase multidourado de graças
Fragrâncias agridoce evolam pelo palco
enquanto o ato sagrado dissolve a alma do casal
O palco é limite do universo fantástico
onde o coito se mistura aos sons de rua e de vozes
Durante a pequena morte Lilith pousa suas mãos
que dançam quadrilha com as mãos do poeta
e pousa suas pernas morenas
sobre as coxas do poeta
Conversam os dois como namorados que são
é a paz após a selvagem luta dos corpos amantes
depois, a mão do poeta se move mágica e afetuosa
ainda deseja o desejo e suaviza o toque
passeando sobre o clitóris da súcubo que deleita-se
sob a calcinha leve e tênue passa o dedo e a mão
depois adentra a mesma calça e toca o grelo
que parece pular e se mexer umidificado
o poeta se torna íncubo
procura o receptáculo oracular do ventre da musa
estimula excita pede morde-lhe o pescoço
e a mesma Lilith Preta puxa-o pela mão
para o camarim
onde se amam com ardor no escuro da saleta
É onde ela pede uma foda mais potente e forte
Num primeiro momento a vulva recebe
a língua do poeta
Em outro momento
o Lingam se lambuza da baba
o falo recebe a boca da musa que o lambuza de saliva...
gozam!
A Yoni inquieta e desejando agradar,
de quatro recebe o cetro possível do poeta que goza
numa foda escaldante e repetida
dentro do corpo tesudo da mulher intensa
dificilmente o poeta sairá com vida
após dominado por esta súcubo
TRÊS. TRIÚNVIRO
Meruca é o mundo, os vidros e os sóis,
tudo o que brota do éter e vive.
Meruca é a voz da manhã
e cada voz de cada fruto maduro.
Nessa mulher respondem as sarças
orladas de negra madeira,
e seu nome é sumo viscoso, melífluo,
que refresca meu rubro amor.
Gentil Flor de mares e ventos
como os peixes prateados
que invocam as virtudes da água!
Rasga-me com teus lábios seivosos,
rabisca minha face com a amêndoa de teus olhos,
mas, conceda que em ti sossegue minha alma.
NAU TRIÚNVIRO
Vaga a nau de distantes paragens submersas
sob nuvens densas abundantes
A nau vaga despretensiosa timbra firme
Encanece o deque sob a neve das geleiras
Relembra das folhas verdes sem queixume
o longe que a nau coruscante vaga
sem vagas na quebra do gelo vaga sem pavio
nem curto ou longo mas gélidos uivos:
elementos dissonantes da brancura da nuvem
e das águas
Navega o navio nave desigual a nau vaga
com verve, com seiva duradoura noite e dia
Conclusas vocações distraídas nas bússolas
para emergir na glorificada imperfeição das
montanhas
As estrofes foram organizadas para preservar a leitura do PDF original.