Kelly de Maria

3 poemas nesta seleção

FONCHA

A prenhe lua sobre o mar gravita
a gravidez da lua, a maré agita
a maré, com sua mão corpu-lenta, abala a onda
que passeia com a casa-cálcio-canoa do marisco
A FOrça da ONda
                               movemolda
a conCHA.

CORPO-CIDADE

A cidade escorre em minhas veias
sangue que flui em linhas vermelhas
sangra a autoestrada
grava a dor na pele-avenida,
amarelada de medo.

Meu corpo-cidade em brasa
aldeia incendiada
pedaço de BRasil que queima
não cicatriza por nada,
só se esvai em fumaça.

O chão cinza da cidade
cimento duro de roer,
é osso, solo fraturado
só calcifica a dor.

CASA ANCESTRAL

Grande casa ancestral
orgânica e seminal,
joia rara crivada
no fértil ventre terral.

Chão de terra, teto natural
entrada sempre aberta,
onde tudo nasce, berra
um ciclo inicia, outro encerra.

Casa é útero quente
abriga, acolhe, conserva
moradia de brava gente
que cuida, zela por ela.

Estrutura viva,
bioconstrução tupi.
feita de muitas mãos
é Casa-coração.

Casa é proteção
nela mora a imensidão
a palha-manto cobre
e enfeita o doce torrão.

Na casa ancestral tudo se ajeita
Se estreita, se fortalece
no balanço da rede
se dorme, sonha,
e CRESCE.

As estrofes foram organizadas para preservar a leitura do PDF original.

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