Raine Furtado

3 poemas nesta seleção

CIDADE DO RIO

Rio de Janeiro
O que te move é o dinheiro
E, sobre o morro, vários dormem

Cidade inconteste
Redentor que não se mexe
Olhando pelos que sofrem

Cidade com dor
Preso em seu resplendor
Com seus braços que não se movem

Cidade a chorar
Cristo em frente a yemanjá
E, em ladeiras, seus filhos sobem

Cidade a ruir
Se eles pudessem agir
Mas, eles, nem se socorrem

Cidade medonha
O seu povo ainda sonha
Com deuses que se comovem

Cidade mudança
Deuses não trazem esperança
Nossas mãos são que os movem

Cidade de fé
Tu és tão regada de axé
Talvez, por ti, todos melhorem

Cidade a mudar
Como ondas, balançar
Dos ancestrais que nos promovem

Cidade de graças
Inquietos como as águas
De pingo em pingo, todos chovem

Cidade a orar
Se deuses pudessem gritar
Clamavam: Que se revoltem!

Cidade do Rio
Seja exemplo p’ro Brasil
E lute pelos que morrem

CASA

Ah, casa!
Entre paredes, pintadas ou não
Janelas, telhados, pés de porta, rodapés
Pet, família, sofás de cochilo
Às vezes tem grilo, mas, quase sempre tem graça
Roupa confortável, chinelo no pé
A casa é o lugar onde a gente vive tranquilo
E quem mora em uma casa sabe bem como é
Dizem até, que quem casa quer casa
Mas, eu me casei sem nada daquilo
Cama, cerimônia, bolo ou condição
Nossa vida começou com um pouco de café
Por que me preocupar com casa, se você é quem eu sempre quis?
Tudo seu, meu paraíso, todo seu, meu coração
Seu chapéu é meu telhado e sempre me faz feliz
Seu amor é minha casa, seu abraço, meu sonhar
Se eu estiver com seu sorriso, tenha certeza, minha miss
Qualquer lugar é o meu lar

CAMINHO

O escutador escuta aquele burburinho
Se eu tenho boca e falo, sou eu falador
E o muximba chora, palpita em chorinho
Suncê não sabe perdoar perdoador?
Vivedor difícil. Valei-me, meu padrinho!
Pesa a balança que não julga o julgador
Infeliz mente e eu sigo a vida sozinho
Caminhando esse caminho, caminhador

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