Azlin Guerra Brisola

1 poema nesta seleção

*

Água que brilha na areia
Na beira do mar
Sol da manhã
Que clareia o
Meu caminhar
Brancas as ondas
Que quebram
E ao Todo se integram
Eu sobre a pedra
Me sento
E me sinto poeta
Quero que o mar
Me ensine a cantar
Cantigas escritas a mão
Com o suór do sol
E o frescor da água fria
E louvar a praia
Templo de cura
E calmaria

*

Cidade maravilhosa
Demasiada mafiosa
Que impulsiona a guerra quente
E co-manda o vazamento vermelho
De sangue, medo, ganância e terror
Gerando na gente um certo torpor
Diante do horror

Rio de choro e chorume
Tem por costume festejar
A vida para contrabalançar a morte
Tal como um desfile de carnaval
Que tem num bicheiro, o aval
Que disfarça em alegoria real
A lei sempre além
Do bem e do mal

É nesta mesma cidade
Que escolhi viver
E que me acolheu
Com sua música, morros
E me abraça com a mata
e o oceano Atlânticos
Que ressoam tão quânticos
E onde aprendo que a Vida
É feita de guerra e paz
E no fundo vivo a inventar um faz de conta
Para dar conta de tanta contradição

*

Útero
Casa primordial
que irriga e alimenta
o ser semente
Com líquido e placenta

Corpo
Abrigo de orgãos,
Vísceras, líquidos
Emoções, pensamentos
O ser em botão

Caverna protege
o ser selvagem
Oca
Agrega o
Ser tribal

Casa grande
e senzala
Quando o ser
Se perde no ter

Casebre chopana
Cabana barraco
Favela mansão
Sobrado

Prédio
Edifício
Quando o ser
Se fragmenta
quer o céu
E perde o chão

Casa no campo
Casa de praia
Casa na árvore
Casa na cidade
Casa
Planeta
Terra

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