DUAS RODAS
Com capacete de antolhos
no meio dos carros,
dos ônibus.
No corredor
a acelerar.
Se apressa em chegar.
Pista,
túnel,
ladeira,
pista.
O trabalho lhe espera.
Um semáforo quebrado e
a rua esburacada,
brigaram com a marcha
e com a mola.
Elas diminuíram seu tom.
Da quinta pra primeira,
em plena quinta feira
pôde perceber:
que da rua do trabalho
podia ver o sol atardecer
e que precisava,
com urgência,
abastecer.
ESCRIVAÇÃO
Escrevo como respiro.
Às vezes,
sai num espirro;
noutras,
asfixio.
Outro dia
tive alergia na escrita.
As palavras
vieram aos montes e
me empolei.
Quando dei conta,
estava todo me coçando.
Pensando bem,
também tenho rinite da memória.
O tempo muda,
e se escrevo muito sobre o passado,
me ataco.
Com inspiros
e expiros,
combato.
Quanta poeira!
LÁ(R)
Morei numa suíte luxuosa.
Pra minha sorte,
não pagava aluguel.
Lá,
tinha tudo o que precisava.
All inclusive!
Comidas e bebidas,
à vontade,
todas que eu quisesse.
Quase como mágica,
eu criava um sabor
que gostaria de provar,
e lá estava.
Eu me exercitava também.
Cambalhotas de ginasta,
chutes de karatê,
jabs de boxe
e uns giros de capoeira.
Há quem diga que eu era bom nisso.
A temperatura era agradável,
quente e acolhedora.
A iluminação deixava a desejar,
tudo muito escuro.
Inclusive,
penso em fazer uma avaliação,
talvez pra considerarem
meia-luz.
Pois minhas fotos,
daquela época,
lá,
são somente um borrão mexido
em preto e branco.
Mas na verdade,
eu não lembro de nada disso.
Só sei
porque minha mãe me contou
sobre como foi ser
meu primeiro lar.
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