Eduardo Castro

3 poemas nesta seleção

DUAS RODAS

Com capacete de antolhos
no meio dos carros,
dos ônibus.
No corredor
a acelerar.

Se apressa em chegar.
Pista,
túnel,
ladeira,
pista.
O trabalho lhe espera.

Um semáforo quebrado e
a rua esburacada,
brigaram com a marcha
e com a mola.
Elas diminuíram seu tom.

Da quinta pra primeira,
em plena quinta feira
pôde perceber:
que da rua do trabalho
podia ver o sol atardecer
e que precisava,
com urgência,
abastecer.

ESCRIVAÇÃO

Escrevo como respiro.

Às vezes,
sai num espirro;
noutras,
asfixio.

Outro dia
tive alergia na escrita.
As palavras
vieram aos montes e
me empolei.
Quando dei conta,
estava todo me coçando.

Pensando bem,
também tenho rinite da memória.
O tempo muda,
e se escrevo muito sobre o passado,
me ataco.

Com inspiros
e expiros,
combato.

Quanta poeira!

LÁ(R)

Morei numa suíte luxuosa.
Pra minha sorte,
não pagava aluguel.

Lá,
tinha tudo o que precisava.
All inclusive!
Comidas e bebidas,
à vontade,
todas que eu quisesse.

Quase como mágica,
eu criava um sabor
que gostaria de provar,
e lá estava.

Eu me exercitava também.
Cambalhotas de ginasta,
chutes de karatê,
jabs de boxe
e uns giros de capoeira.

Há quem diga que eu era bom nisso.

A temperatura era agradável,
quente e acolhedora.
A iluminação deixava a desejar,
tudo muito escuro.

Inclusive,
penso em fazer uma avaliação,
talvez pra considerarem
meia-luz.

Pois minhas fotos,
daquela época,
lá,
são somente um borrão mexido
em preto e branco.

Mas na verdade,
eu não lembro de nada disso.

Só sei
porque minha mãe me contou
sobre como foi ser
meu primeiro lar.

68
68

As estrofes foram organizadas para preservar a leitura do PDF original.

Baixar o PDF completo